Até 2009, Campus Party!
Acabou no domingo o maior evento de tecnologia do Brasil, mas eu já tinha abandonado o navio no sábado. Depois de seis dias acampada na Bienal do Ibirapuera, o chamado da minha cama macia falou mais alto do que a conexão de 5 Gigas que a Telefónica oferecia aos participantes felizes.
Foi um evento interessante, mais pelo comportamento das pessoas do que pelos temas debatidos. Definitivamente não foi um evento convencional. As palestras, apesar de interessantes, não eram o foco principal. O foco era as pessoas e os debates espontâneos que pipocavam entre as mesas. Era as oficinas e a ajuda oferecida pelos várias cabeças pensantes escondidas atrás de sacos de pipoca de microondas. Para pegar o melhor da Campus Party, era preciso estar dentro da experiência e não apenas fazer uma visita.
Houve erros e acertos da organização. O maior erro foi a infra-estrutura ruim de isolamento de som entre palestras, quem sentava na ponta de um setor inevitavelmente ouvia com clareza desconfortável o que estava sendo dito no espaço ao lado. Isto prejudicou bastante a parte mais interessantes das palestras, que era a sessão de perguntas no final. Ficava difícil ouvir as perguntas da platéia, mesmo com microfones.
Mas os participantes deram um jeito de debater: organizaram-se sozinhos e debatiam em rodinhas entre as mesas. Qualquer pessoa eram bem-vinda para ouvir e contribuir, bastava puxar uma cadeira. Várias pessoas fizeram transmissão ao vivo destes debates via webcam, especialmente no setor de Blogs e Criatividade. Definitivamente o modelo BarCamp de debate fez sucesso.
Foi um evento diferente também porque os participantes precisavam procurar ativamente sessões de palestras, debates, entre outros. Quem não procurava assuntos, ficava sabendo às vezes dos debates via Twitter ou pelo excelente LiveStream criado pelo BlogBlogs com todo o conteúdo gerado pelos participantes. Opção era a palavra de ordem: era possível ficar o dia todo na mesa com o computador, assim como era possível andar o dia todo entre palestras, oficinas e papos de corredor.
O ambiente era extremamente amigável, os participantes não pareciam nem um pouco incomodados de serem abordados nos corredores, em suas mesas ou durante as palestras. Muitas pessoas trocavam cartões de visita, outras adicionavam imediatamente no Twitter e MSN. A rede de relacionamento foi ficando clara à medida em que os dias passavam e eram comum ver participantes caminhando para seus computadores e parando várias vezes para dar oi aos vizinhos.
Outro problema da organização: não havia um quadro de avisos no setor BarCamp. Ora, toda a filosofia do BarCamp é oferecer uma forma para que os participantes proponham temas e os discutam entre si. Eu vi algumas pessoas mencionando um wiki que serviria este propósito, mas não houve divulgação. Também não houve divulgação eficiente de sessões interessantíssimas, como a que aconteceu no Planetário do parque na quarta-feira a noite.
Bastava procurar o pessoal de Astronomia para ganhar um ingresso para o Planetário às 23:30. Lá fomos nós pelo parque fresquinho e fomos muito bem recebidos. A equipe do Planetário estava lá para apresentar uma das sessões sobre exoplanetas, seguida de uma explicação sobre como funciona o equipamento do Planetário. Com uma equipe muito bem humorada e uma apresentação extremamente didática, a sessão foi emocionante e engraçada, a melhor que eu assisti. Apenas um exemplo dos tesouros escondidos na programação do Campus Party.
Agora que o evento vai se tornar anual, já é possível pensar em palestras a propor, uma forma mais ativa de buscar a participação nos debates e de conhecer mais sobre áreas não ligadas a comunicação.
Enquanto isso, o Tiago Dória e o pessoal do blog Campus Girls fizeram os dois melhores posts de encerramento que eu li até o momento. O Tiago acertou em cheio ao dar o título do post de “Maior encontro da geração 2.0″, foi exatamente isso que eu reparei por lá.
Outra coluna interessante é a do Bob Wollheim do WNews, que fala sobre a diferença de visão das pessoas dentro do evento em relação ao mundo exterior. O UOL já tinha noticiado a curiosidade de que muitos dos visitantes da área externa do evento mal sabiam o que estavam vendo ali dentro.
O Juliano Spyer também fez seu interessante post de encerramento aqui.


Pra 2009 vou me agilizar!
;)
Cara, que venha 2009!!!
↓ Citar | Postado em 18/2/2008 às 6:19 pm