Campus Party: dias 01 e 02
Está na metade o segundo dia da Campus Party e não há sinal de diminuição do movimento (são 23:38 agora). No que já pode ser considerado o maior evento de tecnologia do Brasil, eu e cerca de outras três mil pessoas acampamos no prédio da Bienal do Parque do Ibirapuera. E daqui só sairemos no domingo, com grande pesar.
Isto porque, apesar dos percalços, o evento está sendo um sucesso. Falhas de organização não conseguiram vencer o ânimo das pessoas e hoje o evento começou com intensos debates, oficinas e palestras. A grande estrela é, sem dúvida, a conexão de 5 Gigas disponibilizada pela Telefónica-Speedy para todos os participantes do evento. Dividio em três andares, apenas o térreo é aberto ao grande público. Para entrar na “Arena”, onde estão as mesas de trabalho e onde acontecem as palestras, é preciso ter o crachá de participante, imprensa ou VIP. E as inscrições estão esgotadas, segundo o site oficial, desde antes do evento começar.
A Campus Party está dividida em algumas áreas, como Robótica, Desenvolvimento (de software), Software Livre, Games, Astronomia, BarCamp, Campus Blog, Criatividade e Modding. A divisão não é rígida e os participantes podem assistir palestras de qualquer área, de acordo com o seu interesse. Mas foi uma boa forma de organizar áreas de interesse tão diversas e fortes da internet brasileira.
Cada área tem seus destaques e, além disso, o evento conta com stands de empresas e organizações ligadas à tecnologia. Os destaques vão para o Stand do Flickr, que também trouxe como palestrante a fotógrafa e fundadora Heather Champ, e o stand que demonstra o Kung-Fu eletrônico. Diversão garantida para quem sempre quis ser um personagem de Mortal Kombat! Além disso, os participantes oferecem um show à parte, especialmente os integrantes da área Modding. Todos vieram equipados dos seus desktops turbinados e criativos. Um emula uma floresta, outro parece uma caveira prateada.
Certamente os participantes da Campus Party vieram cheios de disposição. Além de acampar no evento (o terceiro andar é dedicado à infraestrutura de barracas – oferecidas gratuitamente pela Telefónica -, banheiros e guarda-volumes), trouxeram desktops inteiros na mala, junto com colchonetes, roupas e itens de sobrevivência básica. Tudo em nome da tecnologia, do networking fortíssimo e da diversão. Alguns chegam ao extremo de passar mal por esquecer de levantar para comer, como aconteceu hoje a tarde com um jovem da área de Games.
Os blogueiros compareceram em peso. Alguns dos nomes mais conhecidos da internet brasileira estão aqui debatendo, usando o modelo de “desconferências” das BarCamps. E hoje uma das sessões mais interessantes foi liderada pelo Juliano Styer, do Não Zero e autor de Conectado. Ele falou sobre as razões para ter um blog e o que faz um blog sobreviver ao teste do tempo e interferências externas. Foi um debate interessante, mas curto demais para todos os desdobramentos do assunto.
Houve também uma oficina de Moodle, que eu tentei assistir mas não consegui por provável mudança de última hora na agenda. Infelizmente isso é comum na Campus Party: mudanças de última hora que acabam dificultando algumas sessões. Como é a primeira edição do evento no Brasil, espera-se que seja um grande laboratório, tanto para as idéias fresquinhas que certamente estão surgindo, quanto para as melhorias de organização e infra-estrutura.
Estou falando mais do evento no meu Twitter e ontem coloquei um post sobre o primeiro dia no meu blog pessoal. Além disso, há várias fotos no meu Flickr. Mas a melhor forma de acompanhar o que acontece é o LiveStream que o BlogBlogs criou para reunir tudo que está sendo publicado com as tags do evento, incluindo vídeos do YouTube.
Sem dúvida alguma é completamente viável “participar” do evento a distância. A cobertura de blogueiros e imprensa é completíssima. Único lamento, para quem é mais nerd, é perder a experiência da convivência entre campuseiros.
↓ Citar | Postado em 12/2/2008 às 10:58 pm