As eleições da internet
O uso de tecnologias da informação em campanhas eleitorais já é realidade e traz benefícios concretos aos candidatos. A lógica é estabelecer o diálogo com o eleitor oferecendo uma alternativa ao discurso tradicional. E não basta apenas se apresentar nos principais locais onde os usuários mais se apresentam na rede, se a idéia for o convencimento. “O site do candidato é só discurso, não tem interatividade. Se você quer usar as comunidades de Internet, é preciso dialogar”, disse à Reuters o professor da ESPM e diretor de análise de mercado do Ibope Marcelo Coutinho que realizou um estudo sobre o uso da internet nas eleições presidenciais em 2006.
Os candidatos que optarem por utilizar as ferramentas disponíveis na internet precisam se despir do medo de terem como público apenas adversários políticos ou que em redes sociais como o Orkut, serão ofendidos. Nesses espaços o público que é atingido são eleitores resistentes a temas políticos e jovens. E mesmo levando em consideração as resistências, a rede social do Google tem hoje aproximadamente 250 comunidades relacionadas a candidatos à prefeitura de São Paulo. Em 2006 esse número era de 46 no total.
No Youtube, várias páginas de candidatos já estão criadas. Em Fortaleza, o candidato à prefeitura Adahil Barreto (PR) disponibilizou na rede um vídeo com sua propaganda institucional.
O candidato do Partido Democrata Barack Obama decidiu reduzir a estrutura administrativa e investir e estratégias online para discutir suas propostas com o eleitor. O vídeo “Yes, we can” que promove sua candidatura, foi o mais compartilhado na internet no começo do ano. Em 20 dias, o vídeo foi baixado por 11 milhões de pessoas. No Youtube, o vídeo foi visto mais de 17,7 milhões de vezes até o momento. Obama, também tem em seu site ferramentas de acesso a comunidades virtuais mais usadas pelos norte-americanos como Facebook e MySpace.
O comitê do candidato John McCain também montou uma estratégia agressiva online envolvendo o Google em que o anúncio do candidato sempre aparece entre os primeiros quando as palavras buscadas são president, McCain e mesmo Obama e Clinton. Segundo Peter Leyden do New Politics Institute centro de pesquisas americano especializado no estudo do impacto das novas tecnologias no marketing político, “A internet tornou-se hoje para a política o que a televisão foi na década de 60 e o rádio na década de 40”.
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A eleição na internet |
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Três filmes relacionados à campanha eleitoral americana que se tornaram sucesso no YouTube |
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YES WE CAN |
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O que é |
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Audiência |
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VOTE DIFFERENT |
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O que é |
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Audiência |
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HILLARY CLINTON SOPRANOS PARODY |
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O que é |
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Audiência |
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Fonte: Viral Video Chart |
Quadro extraído da revista Exame
A boa performance de Obama na internet tem muito a ver com os simpatizantes de sua candidatura. O candidato é o preferido de 61% dos jovens americanos com idade de 18 a 24 anos, segundo pesquisa da rede CNN. É a parcela da população americana que tem grande afinidade com a internet. No auge do embate entre Obama e Hillary Clinton as comunidades pró Obama no Facebook estão reuniam cerca de 355 000 membros enquanto 420 000 apareciam em comunidades contra sua adversária. Essa rede de apoios garante uma força ao candidato democrata nunca vista antes.
O uso da internet e do marketing viral na política se inspira, em certa medida, nas estratégias utilizadas em outro universo: o das grandes empresas. Nos últimos anos, companhias de todo o mundo têm aproveitado o poder de fogo de sites como YouTube e redes de relacionamento para fortalecer suas marcas e buscar novos consumidores, principalmente entre os jovens. O mais notável exemplo dessa estratégia foi desenvolvido pela subsidiária americana do gigante anglo-holandês dos produtos de consumo Unilever. Em 2006, a empresa criou o filme Dove Evolution, em que mostra o uso da tecnologia para transformar uma jovem comum em uma top model. O filme é até hoje um dos mais acessados do site, já atraiu mais de 15 milhões de espectadores e no ano passado foi o vencedor do Grand Prix do Festival de Publicidade de Cannes. “O uso da internet na política é uma conseqüência das inovações que começaram no setor privado”, diz o consultor Leyden. “É um fenômeno que diz muito sobre como será o marketing daqui para a frente. Se eu fosse um presidente ou diretor de marketing de uma grande empresa, estaria analisando cuidadosamente cada passo desse movimento.”